sexta-feira, outubro 24

O post que me fez, pela primeira vez, comentar num blog de uma figura pública!

"Quanto valemos?

Mania esta de termos que ser explorados no início da carreira, como se tivéssemos que ser sujeitos a uma qualquer humilhação. Mania esta das empresas se habituarem aos estágios não remunerados e findo os 3 meses "que era muito bom e tal, mas que infelizmente por razões logicamente financeiras não será possível integrá-lo!". Não interessa se era bom, se fazia falta, se tinha talento, se teve uma atitude diferenciadora em relação a todos os outros, o que interessa – isso sim – são os 3 meses. E os 3 meses acabaram e ali vêm outros. Mais 3. Mais 3 meses.

É o preço da experiência. As empresas querem pessoas com experiência mas novas, para não pagarem muito e por perceberem que estas ainda não têm bem a certeza de quanto é que valem. As pessoas com experiência e com uma certa idade que já dói a deitar, sabem exactamente o seu preço. E o problema é esse. As empresas não gostam de pessoas que sabem o que valem e ao mínimo pedido de aumento "Temos aqui sindicalista!". E daí tudo fazerem para não termos grandes ideias, nem termos muitas vezes razão, porque obviamente as melhores ideias valem dinheiro e isso pode levar à tal conversa a pedir aquela tal coisa que ainda há pouco falávamos. O aumento, lembram-se? Uma palavra maldita como aquelas que não se podiam dizer nos regimes ditatoriais e que é preciso falar baixinho e olhar duas vezes para um lado e para o outro, como se fossemos atravessar uma estrada junto a uma curva de pouco visibilidade. Fala-se em aumento e os patrões pedem logo um copo de água e os medicamentos para a tensão arterial. Tem-se uma ideia que sabemos ser vencedora, e logo o patrão, vendo que é tão boa, trata de nos tolher a alma como o frio nos dias de Inverno em que temos de ir trabalhar. Não interessa se é boa, o que importa mesmo é que o funcionário não cresça para não lhe pedir aquilo que sabemos. E depois, se houve uma ideia boa, ele sim é que a teve" mesmo que estas sejam um tudo-nada iguaizinhas à que lhe havíamos dado no dia anterior".

E assim, criou-se o hábito de só nos darem um aumento quando somos cobiçados por outra empresa e aí sim, ouvimos aquilo que nos faz lembrar os primeiros dias em que íamos para a cama ranger paredes. Que somos muito importantes e tal, indispensáveis, essenciais para, bonitos para, tome lá dinheiro para, nem pense em sair para. E na maior parte das vezes, esta conversa já chega tarde para, porque a vontade de sairmos é imensuravelmente maior do que ficarmos para. A vontade de os fazermos perceber o quanto valíamos. De os fazermos saber o nosso valor quando sempre lhes havíamos dito. Gritando com a certeza do público do Preço Certo. Trazendo sempre bolinhos regionais para o Fernando Mendes."

por: Fernando Alvim

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