"Para os meus amigos a quem eu digo que Alcobaça é a melhor terra do mundo aqui esta uma demonstração do que é o ambiente nesta terra que se transforma no CARNAVAL …
Chego a Alcobaça na sexta-feira ao final do dia. Diz o meu amigo/guia que é a noite em que todas as pessoas se vestem à palhaço. Segue uma tradição antiga de uma discoteca chamada Sunset. A noite da sexta era a noite do circo. Circo puxa palhaço… Quero saber mais sobre essa tal Sunset - Ainda existe? Mais tarde logo saberás - dizem com um sorriso nos lábios. Encontramo-nos em casa de amigos dos meus amigos. Está frio. Vive-se um ambiente calmo. Está mesmo frio. Combinam-se as máscaras dos dias seguintes. São mesmo 5 dias? Admitem que na terça são poucos os sobreviventes - acho estranha a comparação. Os pais dos meus amigos estão também no espírito. Mais velhos, é certo, mas por dentro de todos os movimentos, de todas as linguagens. Há um baú no meio de uma sala. Está cheio de roupa. Antiga. Nova. Toda ela dedicada ao Carnaval. Ridícula alguma dela, mas apetecível de usar. - Toma vestes isto hoje…Meia-noite de sexta-feira. Estou na rua, vestido com colants de cor, peruca de palhaço na cabeça. As pinturas numa casa, os sapatos de outra, o casaco ainda está para vir de uma outra casa. Tarda em aparecer. E o frio que está. Tudo tende a mudar - dizem-me eles. Somos uns 10 amigos. Todos palhaços. Na rua encontramos uns amigos dos amigos do meu amigo, todos de palhaço. Cumprimentam-se. - É hoje, é hoje…Meu Deus que frio. Surge o meu casaco. Comprido, um género de aba de grilo, cheio de cores - como é que vou vestir isto???. Vamos pela rua. Entramos nos bares. Há uma rua, uma travessa. Está cheia de pessoas, palhaços, todos iguais. Entramos no primeiro bar - Alcopázio. Está cheio. Meu Deus que calor. Bom. Bebemos um bocado. Bebemos um bocado mais. Custa-me dançar Daniela Mercury. Lembra-me as minhas primas que são betinhas e que ouviam isto no Algarve. Depois há umas marchas, Carcarolas dizem eles. É a deste ano. Ouvimos dezenas de vezes as músicas. Bebi mais um bocado. É giro isto. Começo a ganhar po jeito. Estou on-fire. Sinto mesmo. No meio dos palhaços há também outras máscaras. Em minoria é certo. Há ainda mulheres muito bonitas, tudo maluco. Nunca vi nada assim. é mesmo giro isto. Vamos ao Zé. Acho estranho saírmos todos em fila para irmos ao tal Zé. Andamos pouco. Continua frio, sinto menos agora. À direita furando pelas pessoas rua acima lá chegamos a outro bar. Space. Espaço tem pouco. Está um rapaz que é o dono atrás do balcão - és tu que estás cá a primeira vez? - Bem-vindo. Conheci assim o Zé Miguel. O outro era como??? Lembra-te, era um país…. Israel, é isso, Israel. - Sim estou a adorar - respondi. A música é igual aos outros sítios. Não há muito espaço para dançar. Há calor. São as pessoas. Todo eu já danço. Atei o meu casaco à cintura e estou pronto. Bebemos um pouco mais. Nada disso me tira o embalo. Passou pouco tempo e sinto-me um deles. Todos somos um. Custa-me decorar os nomes. Um deles grita constantemente - Favas com chouriço…Mete as favas com chouriço. Não entendo ainda estas linguagens. Danço, bebo, comunico como posso mas não descodifico tudo. De um momento para o outro ao sair da casa de banho ao fundo tenho um género de manifestação colectiva. Braços no ar e todos a cantarem em português Zé Cid. José Cid… - faz-me favas com chouriço… BINGO. Começo a ser um expert na linguagem carnavalesca de Alcobaça. Pergunto ao meu amigo como é possível aparecer esta musica aqui vinda do nada. Confidencia-me que foi o grande sucesso do ano passado. - Este ano até o Zé Cid vem cá tocar, no Clinic. CLINIC? Entramos no Clinic. Olá eu sou o Xico. Ok, mais um nome. - Não, não sou o dono. Pagamos dez euros. Achei estranho pagar num bar. Que se lixe, é o Zé Cid, alem disso dá entrada de borla nos outros dias que se avizinham. Entramos. Está no palco o grande artista. O bar está cheio. Palhaços e mais palhaços. Acaba o concerto. Está tudo maluco. Começa a pôr musica um tipo com um chapéu azul dos Metz na cabeça. Tem a pala virada para cima. Sabes quem é aquele gajo? É o Beato. Põe a música aqui e depois na Sunset que é do pai dele - fico a conhecer mais uma figura. Conheço-o à distancia. Ele acena-me com a mão e eu retribuo. A cara não me é estranha, mas também, pintado de palhaço já vi tantos. As pessoas, ao rubro. Cantam de trás para a frente as musicas. Aqui danço muito. Tenho espaço, tenho luz, ambiente e a música está altíssima. O dj dança e puxa por nós todos, é um ritual. Saímos mais um pouco. Até já Xico. Sinto-me em casa. Vamos a outro bar um tal Parlatório. Um bar grande também. Copy Paste dos outros. Diversão. Conheço a Carla. Então estás a gostar? Sim - retribuo. Bebemos mais um pouco. Dançamos. Abro a boca… - Então pá? Ainda é cedo… Olho para o relógio. São quase 4 da manha. Regressamos ao Clinic a festa continua como se tivesse carregado em pause na minha ausência. O tipo continua aos pulos com o boné azul. É o gajo dos Gift, é isso. Pois claro, são eles que são os donos deste bar. Mas como é que o gajo dos Gift está assim vestido? Sigo em frente, danço e bebo, rio-me e pouco a pouco, vou-me encaixando nas danças, nos rituais. Há grupos que entram e saem varias vezes à rua. Todos circulam. Ficas? Fico. Quero mais, dançar mais. Ficamos no Clinic até ao fim. Foi tudo muito rápido, sei que dancei Abba, Disco-sound, Carlos Paião, UsaAfrica com as mãos dadas. Tudo era permitido. Quero mais disto. Quero sempre mais. Pegamos no carro. Seguro ou não chegamos ao santuário do Carnaval em Alcobaça. A Sunset. Todos me falam do Livre-trânsito. O meu amigo comprou o meu dias antes numa sapataria em Alcobaça - numa sapataria? Estranho. Enfim o meu livre-trânsito. Tem o meu nome. Número 546. Entrei na Sunset. O mesmo rapaz de boné azul está atrás dos pratos a gritar ao microfone e a pôr todas as pessoas a dançar que nem malucos. Bebemos mais. O meu livre-trânsito tem direito a bebidas. Lindo. Bebemos mais ainda. Dançamos muito. Vejo o Zé Miguel, o do país…como é que se chama, o Israel, e sinto-me em casa. Estou na casa do Carnaval em Alcobaça - a Sunset. A melhor para mim é a Eva, uma musica que me dá vontade de pular o mais alto possível. Custa-me admitir, mas chega a ser emocionante. Lá fora é de manha. a música continua, como se de um encore se tratasse. A pista está cheia ainda. Os palhaços estão com uma palete de tintas nas caras. Não se notam as expressões, mas sinto que estão felizes. Desligo agora. Amanha a historia repete, para o ano, cá estarei.”
Nuno Gonçalves - The Gift
...bolas!!!! É que é mesmo isto!!!
Carcarolas 2009
“Estava eu no MSN
A teclar com o meu love,
Fiz uma jura solene
Disto nada me demove:
Mascarar-me à Superman
P’ró Carnaval 2009!
Deu-me uma sede bravia
De uma imperial provar,
Fui prá frente d’ Abadia
E senti-me a variar,
Só que agora até ser dia
Já não consigo parar!
REFRÃO
Este Carnaval é cor,
Este Carnaval é meu,
Este Carnaval é maior,
Este Carnaval, Este Carnaval…
Este Carnaval sou eu!
Este Carnaval é raça
E da crise vamos rindo,E
ste Carnaval é Alcobaça,
Este Carnaval, Este Carnaval…
Este Carnaval é o mai lindo!
Na Sexta é p’ra bebés
No Sábado é p’ra meninos,
Domingo bolhas nos pés
De tantos saltos e pinos,
Do Mosteiro ouvem-se os sinos,
É de manhã, são quase dez!
Segunda é a doer,
Pr’á despedida vamos indo!
Há mais mines p’ra beber,
Para as magias esquecer
Metamorfoses para ver
Neste Carnaval que é o mai lindo!
REFRÃO
REFRÃO”
Quem lá estiver que o goze por nós!! :P
1 comentário:
É mesmo esse o espirito, mas apenas quem pode ter férias... porque pa quem é continuamente papado não há carnaval para ninguém :(:(:(
CAMBADA DE GATUNOS!!!! CAMBADA DE XUPISTAS!!!!
LOL
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