sexta-feira, agosto 15

ainda a propósito...

"Acabo a pensar que acreditamos no Amor Eterno porque não queremos acreditar na Solidão.
Procuramos, deixamos de procurar, achamos que fomos encontrados, nós, que estavamos perdidos...


Olhar nos olhos do outro e ver tudo o que sempre quisemos. Agradecemos a sorte que temos, fazemos promessas e juras de amor que durarão para sempre. Eventualmente.
Passeios de mãos dadas no parque, velas num jantar e viagens até ao outro lado do Mundo.
Somos intocáveis, o Tu e o Eu, que seremos Nós. Havendo nós... caminharemos ao lado um do outro, sem ter de chegar a casa e não termos ninguém à espera, teremos sempre um ombro amigo, um conselho a seguir, alguém que puxa o barco por nós quando os nossos braços ficam cansados e queremos deixar repousar a nossa cabeça e enxugar as lágrimas de algo que passará. Que passaremos. Juntos. Eventualmente.

E depois, vem um dia em que vislumbramos que aquele olhar, que nos fez estremecer o corpo, que trouxe as borboletas e nos aqueceu a alma... está destinado a outra qualquer alma gémea, perdida, que procura aquilo que nós já achámos. Eventualmente.

Todos os "para sempre" reduzem-se até ao "houve um dia" e, depois, ao "a partir de hoje". Ficamos Nós, os Eu's, sozinhos com os nossos (des)encantos, acreditanto que não foi para sempre porque o para sempre vem (para) sempre a seguir.

E a verdade é que aquele olhar que pensamos que, naquele segundo, mudou as nossas vidas, de facto, fê-lo.

Nunca nada será igual e viveremos sempre com os "para sempre", preferindo sempre o Amor (des)Eterno à Solidão, acreditando que existe e que, um dia, ele dará connosco.

Eventualmente. "

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